E eis que, depois de 5 tentativas, eles finalmente acertaram a mão.
Harry Potter e o Enigma do Príncipe é o primeiro na seqüência de filmes que se equipara aos livros. E com isso eu não quero dizer que ele se parece com a versão literária. Muito pelo contrário, aliás: parece ter sido a primeira vez em que o roteirista aceitou que nunca vai conseguir botar mais de 500 páginas em 2h30, e ao invés de ser fiel à ordem dos acontecimentos, resolveu ser fiel à essência da história. Pela primeira vez, as sutilezas saem das páginas para as telas e vemos personagens inteiros, complexos e humanos. Além do humor da J. K. Rowling. O elenco, depois de anos de trabalho conjunto, também acabou se afinando, o que trouxe o filme para muito mais próximo do espectador.
Claro que muita coisa ficou de fora, e muita coisa que não existia foi criada. Mas dessa vez, isso passou longe de incomodar. Nunca antes filme e livro estiveram tão diferentes, e por isso mesmo nunca antes eles estiveram tão próximos.
Na minha modesta opinião, os destaques da vez:
- A adaptação do roteiro.
- Toda a sequência em que o Harry consegue a lembrança do Slughorn. Simplesmente genial.
- Rupert Grint e Thomas Felton supreendendo na atuação. Não necessariamente as melhores atuações, mas as maiores surpresas.
E a melhor de todas - SE ALGUÉM ACOMPANH A HISTÓRIA SOMENTE PELOS FILMES, PARE DE LER AGORA PARA EVITAR SPOILERS DAS RELÍQUIAS DA MORTE:
- A inserção do momento em que Dumbledore descobre que Harry é a sétima horcrux. Sutilíssimo, totalmente ao estilo J.K. Rowling, deu vontade de ver este momento no livro também.
Enfim, valeu a pena esperar. Uma pena que os outros não tenham chegado lá mais cedo. E agora é torcer pra que o 7/1 e o 7/2 mantenham o nível.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
"And suddenly... puf!"
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Frau Bersch
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20:29
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Marcadores: cinema, Enigma do Príncipe, Harry Potter
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Fim do dia.
Saía do trabalho, na auto-intitulada "rua mais charmosa da cidade", quando passei por mais um dos tantos mendigos que habitam nossas calçadas. Ele não estava, como de costume, debruçado sobre um saco de lixo, procurando sobras de comidas para passar o dia. Estava deitado no chão frio, abraçado ao saco preto, levando a mão avidamente do seu interior à boca em movimentos repetitivos e estranhamente constrangedores para quem passava - não para ele.
De estômago revirado eu passei longe, pensando em como eu deveria ter parado, e em como eu continuava devendo ter parado, e em como ainda dava tempo de parar, e em como não me faria diferença perder alguns minutos do trabalho para, ainda que tarde, parar. E em como teria sido fácil voltar pro lugar de onde eu tinha vindo e comprar algo decente para aquele ser humano comer. E em como mesmo pensando em tudo isso eu continuava pensando e andando em direção ao ônibus que me levaria para longe dali. E em como há até dois dias atrás eu estava a beira do desespero só porque nem todas as minhas vontades estavam sendo satisfeitas na hora em que eu queria. E em como eu sabia que aquele desconforto ia durar só algumas horas, só o tempo de eu me lembrar que eu estou feliz. E tentando descobrir quando foi que eu me tornei tão egoísta. Tão egoísta que o que mais me entristecia talvez não fosse a condição deplorável daquela pessoa, mas sim o meu próprio egoísmo.
E continuei andando. E tudo o que eu fiz a respeito foi pensar.
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Frau Bersch
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16:29
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Marcadores: consciência, egoísmo, internas
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Rapidinha
Como se não bastasse eu estar prestes a ficar titia pelas segunda e terceira vez quase que na mesma tacada, meu priminho pré-aborrecente me classificou, literalmente, como "a prima encalhada da família".
Eu mereço.
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Can anybody find me somebody to love?
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Postado por
Frau Bersch
às
19:00
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Marcadores: internas, rapidinhas
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Adendo.
Tipo a história do bom e velho "menino sean", da qual os jornalistas não parecem se cansar. Todo mundo discutindo sobre o que vai ser melhor ou pior pra ele, mas será que ninguém se toca que só o fato de isso estar em discussão já é ruim que chega? É absurdo que o que era pra ser a família do menino se digladie, na justiça ou fora dela, um tentando virar a criança contra o outro, pensando só no seu próprio orgulho. Essas pessoas deveriam ser o porto do menino, as pessoas em quem ele confia, com quem ele se sente seguro. De ambos os lados. E ele é só um dos zilhões de seans por aí.
domingo, 14 de junho de 2009
Filhos melhores.
Recebi a seguinte frase numa dessas correntes de e-mail que a gente só abre pq veio de alguma tia e é feio apagar sem ler:
"Todo mundo pensando em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
Desconheço a autoria, mas assino embaixo. Não que eu seja contra a idéia de pensar em planeta melhor para os nossos filhos. Muito pelo contrário, acho que isso é o mínimo que se pode fazer. Mas de nada adianta pensar em um planeta melhor se não pensarmos em seres humanos melhores antes de tudo.
Tipo aquela história que eu ouvi de uma professora no curso de justiça restaurativa que fiz ano passado. Que estava um pai com seu filho pequeno naquela situação típica de criança em supermercado: o menino dizendo "eu quero eu quero eu quero" e o pai tentando explicar que não pode. Numa dessas, quando o guri começou a fazer escândalo, o pai não se conteve e largou a pérola: "amanhã mesmo eu vou ligar para a professora e perguntar que tipo de educação que ela está te dando na escola!"
Parece brincadeira, mas acho que, no fundo, não é. As famílias colocam cada vez mais a responsabilidade da criação de seus filhos nas escolas. As escolas cada vez tem mais medo de serem processadas por educar (de verdade) os filhos dos outros. E as crianças cada vez mais aprendem a chantagear com a ameaça de ligar pro conselho tutelar se levarem um puxão de orelha. E quem dá pra esses pequenos humanos as noções de valores e responsabilidade que eles vão usar quando se tornarem adultos?
Não adianta nada deixar um planeta melhor pros nossos descendentes, se esses descendentes não quiserem deixá-lo melhor para os rebentos deles, e assim por diante. Não adianta segurar as reservas de água potável por mais 100 anos, se daqui a 150 elas vão desaperecer de qualquer forma, porque os nossos filhos e netos não tiveram ninguém pra ensiná-los a olhar um pouco mais além do próprio umbigo. Não adianta ter filhos, se não queremos criá-los.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Recalcada.
Dia dos namorados é só mais uma data comercial, tipo o Natal. Portanto o Amor, assim como o Papai-Noel, não existe. Certo?
domingo, 7 de junho de 2009
Pode ser bom às vezes
Costumo ter uma birra com adaptações de músicas. Normalmente, eu me acostumo tanto com a primeira versão que conheço, que as adaptações (ou originais, no caso de eu ser apresentada primeiro à releitura) me dão calafrios.
Mas tem exceções. Um compositor que, na minha opinião, faz adaptações fantásticas é o Nico Nicolaiewsky. Meu voto de melhor releitura dele vai para a versão feita para Comida, do Titãs, pra qual eu infelizmente não achei nenhum link. Mas essa versão que ele fez de Ana Julia, do Los Hermanos, já dá uma idéia do que eu quero dizer. O que vale é que as releituras valem a penas quando elas proporcionam aos que estão ouvindo, realmente, uma re-leitura (ahn ahn ahn?). Não, não é tão redundante assim. O que eu quero dizer é que vale a pena ouvir uma segunda versão de uma música qualquer, quando essa segunda versão te faz ler a música em uma língua que ainda não tinha passado pela tua cabeça. Como é o caso dessa Ana Julia. Ela nasceu pra ser top 5. desde a primeira semana, as pessoas eram obrigadas a ouvir a bendita umas 10 vezes ao dia, mesmo que não quisessem. Em pouco tempo ela virou uma daquelas músicas pé no saco, que de tanto ouvir, ninguém presta atenção nenhuma. Aí vem alguém, pega a música na mão, dobra aqui, aperta ali, espicha lá do lado, e voilà: temos uma peça completamente diferente, que depois de anos de melodia decorada, nos faz voltar a prestar atenção no que estamos ouvindo. E percebemos que atrás da música, existe uma letra afinal de contas.
Pensei nisso porque ouvi essa versão que o Zé Ramalho fez para O que é o que é? (Gonzaguinha). Sim, é velha, provavelmente só eu ainda não conhecia, mas enfim. O que é o que é? já é um ícone por natureza, e nunca achei ruim, muito longe disso. Mas de tanto ouvir, ela pra mim já era tão normal que eu mal me lembrava do que dizia. E essa versão mostrou a mesma letra de um jeito completamente diferente. E um jeito genial, diga-se. Como não poderia ser diferente, vindo de quem veio.